A semana começou com transtornos e medo para quem depende do transporte ferroviário na Baixada Fluminense. Um confronto armado entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) nas comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas interrompeu o fluxo normal dos trens do ramal Saracuruna na manhã desta segunda-feira (27).
Caos na SuperVia
Devido à instabilidade na segurança pública próximo à via férrea, a SuperVia adotou um esquema de contingência. Quem viaja entre a Baixada e o Centro do Rio precisa descer em Parada de Lucas e trocar de composição para seguir viagem. O intervalo entre os trens, que já é motivo de reclamação constante dos usuários, saltou para 80 minutos, gerando aglomerações nas plataformas.
Fim de semana de invasão
O terror, no entanto, não é novo para os moradores. Relatos obtidos pela reportagem indicam que a disputa territorial começou na madrugada de domingo (26), quando criminosos do TCP teriam invadido a área da Vila Aliança durante um evento cultural. "Usaram até drones para fiscalizar o ambiente antes de entrarem 'com tudo'", revelou uma testemunha sob anonimato.
Na manhã de hoje, o rastro da violência era visível: carros cravejados de balas e marcas de sangue foram encontrados nas ruas Antônio Lopes e Lourival Inácio. Na Estrada do Vigário Geral, o tiroteio voltou a ficar intenso por volta de 0h30 desta segunda, consolidando um cenário de guerra que se estende por mais de 48 horas.
Insegurança e Silêncio
Moradores que vivem na região há mais de uma década afirmam que o nível de audácia das facções atingiu patamares inéditos. Apesar do clima de guerra e dos impactos no transporte público, a Polícia Militar declarou que não recebeu chamados para as localidades mencionadas durante o período dos confrontos.




